A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quer incluir juízes federais que atuam em varas especializadas em corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado entre os que podem atuar em matéria eleitoral.

Segundo ela, o pedido será enviado nos próximos dias ao Tribunal Superior Eleitoral. A medida, contudo, não agradou parte da magistratura. Para a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), a mudança pretendida é uma tentativa de enfraquecimento da Justiça Estadual.

A proposta foi anunciada por Dodge nesta segunda-feira (25/3), no Rio de Janeiro, durante a abertura do Seminário Internacional Transparência e Combate à Corrupção.

Em sua fala, Raquel Dodge citou a providência como uma alternativa para manter e aprofundar o combate à corrupção após decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que, por maioria de votos, definiu que cabe à Justiça Eleitoral julgar os crimes comuns federais conexos com as infrações eleitorais.

Ao defender a proposta, a PGR destacou que a permissão para que juízes federais, notadamente os que titularizam varas especializadas de lavagem de dinheiro e crimes financeiros, acumulem a função eleitoral nos casos em que for comprovada a conexão destes com práticas como corrupção e lavagem de dinheiro não causa aumento de despesa e nem a necessidade de ampliar a estrutura da Justiça Eleitoral.

Além disso, ela afirmou que a medida garantirá que fatos investigados atualmente em varas especializadas da Justiça Federal continuem sendo conduzidos pelos magistrados que estão à frente dos processos. A viabilização da medida depende de alteração de duas resoluções da Corte Eleitoral (21.009/2002 e 23.422/2014).

Reação dos juízes estaduais
A proposta da PGR não foi bem aceita pelos juízes estaduais do Rio de Janeiro. Em nota de repúdio, a Amaerj afirmou não há respaldo para o pedido anunciado por Dodge.

De acordo com a associação, os juízes estaduais têm prestado trabalho de excelência na Justiça Eleitoral, e por isso têm recebido aprovação da sociedade. Para a Amaerj, o eventual aumento na demanda será melhor suportado pela Justiça Estadual, que tem o maior número de magistrados, maior proximidade com a população e maior capilaridade territorial.

“A mudança pretendida é uma tentativa de enfraquecimento da Justiça Estadual, responsável por 79% dos processos que tramitam no país e que tem se dedicado, dia e noite, para atender à enorme demanda, conforme preceitos estabelecidos na Constituição Federal. Não nos envergaremos ao ataque inoportuno e unilateral. Seguiremos firmes na luta por um Poder Judiciário forte, independente e eficiente, como mostram os números da Justiça Eleitoral brasileira”, diz a nota da entidade.

Fonte: ConJur