A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou em julho a nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). Ao todo, a sexta edição da obra registra o acréscimo de mil novos vocábulos ao nosso idioma, levando o número de palavras no Vocabulário a 382 mil. Alguns desses vocábulos apresentam estreita relação com a atuação da Justiça Eleitoral (JE), sempre atenta aos movimentos da humanidade e da tecnologia, tais como: judicialização, pós-verdade, negacionismo, fake news, infodemia, sororidade e cibersegurança, entre outras.

O Volp reúne todas as palavras da Língua Portuguesa e a forma como devem ser escritas. Esta é a primeira atualização em 12 anos – a última foi em 2009. Muitos acréscimos estão relacionados aos novos termos originados do desenvolvimento científico e tecnológico, às palavras surgidas no contexto da pandemia de Covid-19, assim como termos técnicos das diversas áreas do conhecimento e novos vocábulos de uso comum, muito divulgados na mídia impressa e em textos acadêmicos.

A obra foi atualizada com o objetivo de oferecer ao público uma edição em dia com a evolução da língua, de modo a refletir as mudanças da sociedade.

Judicialização certamente é um dos termos que apresentam maior relação com o Poder Judiciário e com a Justiça Eleitoral. A palavra – que vem sendo frequentemente citada no debate em torno da eventual adoção do voto impresso – nada mais é do que levar para a Justiça uma decisão que não necessariamente precisaria ser decidida por esse caminho, principalmente questões de grande repercussão política ou social. No caso do voto impresso, há o risco de judicialização das eleições, já que o resultado do pleito, em vez de sair das urnas, poderia vir de uma decisão judicial.

Pós-verdade também tem profunda relação com outro tema debatido pela JE e incluído na última versão do Volp: fake news. O termo pós-verdade é usado para designar uma informação que distorce deliberadamente a verdade, ou algo real, caracterizada pelo forte apelo à emoção, e que, tomando como base crenças difundidas, em detrimento de fatos apurados, tende a ser aceita como verdadeira, influenciando a opinião pública e comportamentos sociais.

Já fake news é um termo tão falado nos últimos anos que não há dúvidas sobre o seu conceito, nem quanto ao seu impacto negativo nas disputas eleitorais e, principalmente, quanto à necessidade de combatê-las. O TSE é um dos pioneiros nesse combate, promovendo vários debates e campanhas sobre o tema. Além disso, mantém uma página para ajudar a esclarecer todas as notícias falsas que circulam sobre as eleições, a Fato ou Boato.

Outra palavra incluída no Volp que tem relação com o tema é infodemia, denominação dada ao volume excessivo de informações, muitas delas imprecisas ou falsas (desinformação), sobre determinado assunto (como a pandemia, por exemplo), que se multiplicam e se propagam de forma rápida e incontrolável, o que dificulta o acesso a orientações e fontes confiáveis, causando confusão, desorientação e inúmeros prejuízos à vida das pessoas.

Negacionismo é outro termo que tem estreita relação com os dois últimos citados. Significa uma atitude tendenciosa que consiste na recusa a aceitar a existência, a validade ou a verdade de algo, como eventos históricos ou fatos científicos, apesar das evidências ou argumentos que o comprovam. Por exemplo, em 25 anos, desde a sua criação, nunca foi comprovada nenhuma fraude nas eleições com o uso das urnas eletrônicas.

Manter de forma inicisiva uma afirmação contrária é negar esses eventos e fatos que comprovam a segurança e a lisura do sistema eleitoral, que já elegeu o presidente Fernando Henrique para o segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva duas vezes, a presidente Dilma Rousseff duas vezes e o presidente Jair Bolsonaro, além de milhares de representantes pelo Brasil afora, legitimando a vontade do eleitor.

Cibersegurança certamente não é um termo novo, mas só foi incluído agora no Volp. Garantir a segurança de dados relativos ao processo eleitoral é uma das prioridades da Justiça Eleitoral, que utiliza os mais modernos artefatos em termos de Segurança da Informação para garantir a integridade, a confiabilidade e a autenticidade das eleições brasileiras. Cibersegurança é extamente a prática que protege computadores e servidores, dispositivos móveis, sistemas eletrônicos, redes e dados contra ameaças ou ataques cibernéticos.

A palavra sororidade, após ser mencionada em um programa popular da televisão brasileira em 2020, gerou um debate caloroso sobre seu significado. Sororidade é o sentimento de irmandade, empatia, solidariedade e união entre as mulheres, por compartilharem uma identidade de gênero; conduta ou atitude que reflete este sentimento, especialmente em oposição a todas as formas de exclusão, opressão e violência contra as mulheres.

Muito antes disso, o TSE já se pautava pelo respeito e pela valorização das mulheres, promovendo campanhas e debates sobre o tema. Aliás, garantir mais mulheres na política tem sido uma das maiores preocupações e lutas do Tribunal nos últimos anos, além de um dos compromissos do ministro Luís Roberto Barroso à frente da Corte Eleitoral.

Uma iniciativa importante do TSE nesse sentido foi a criação, em dezembro de 2019, do site #ParticipaMulher, em homenagem àquelas que fizeram e ainda fazem história na vida política e na Justiça Eleitoral. A página é parte das ações que integram as atividades da Comissão TSE Mulheres, instituída em 11 de outubro de 2019. A criação da Comissão atende à solicitação feita pela Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) nas Eleições 2018.

O conteúdo da nova edição do Volp pode ser acessado no site da ABL ou pelo aplicativo oficial do Volp (disponível no Google Play e na App Store).

Fonte: TSE